Mensagem #2

Se queres ser feliz amanhã, tenta hoje mesmo.

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Mentira: repudiada, mas, muito usada nas relações

Já escrevi em outro texto que confiança é a base para as relações, não importa se de trabalho, amizade, amorosa e reafirmo aqui essa minha posição. Agora vejamos, para ter uma relação fundamentada na confiança é imprescindível ser verdadeiro e não ser conhecido como alguém que tem o hábito de mentir descaradamente, certo? Muitas pessoas acreditam veemente que devemos sempre ser sinceros e verdadeiros nas nossas relações, no entanto, existe o outro lado da moeda, a mentira.

O filósofo e psicólogo evolutivo David Livingstone Smith afirma no livro “Por que as Pessoas Mentem?” que “A mentira é o pilar das relações sociais”. Essa afirmação deve deixar muita gente de cara feia, mas se refletirmos um pouco veremos que em certo sentido o filósofo está correto. Dizer a verdade o tempo todo é chato e pode causar constrangimento, incômodo e até conflitos. Quem nunca ficou chateado por ter tomado aquela verdade na cara?

Um estudo curioso coordenado por Robert Feldman (Professor de psicologia da Universidade de Massachusetts) mostrou que num único dia escutamos cerca de 210 mentiras e que em média uma pessoa conta três mentiras a cada 10 minutos, bota curioso nisso hein!? Outra curiosidade é que tem estudos científicos que comprovam que bebês dão sorrisos falsos para estranhos.

Devemos entender de forma pragmática que há verdades que não devem ser ditas. Assim, você poderá estar mantendo o vínculo de uma relação, protegendo uma amizade que é muito cara a você. Dizer que a mentira ajuda nas relações não é admitir que devemos construir nossas relações baseadas nela, é que às vezes se faz necessário mentir tendo em vista o bem em comum. Muitas vezes precisamos mentir pelo fato de que o momento de revelar a verdade seja inapropriado, outras para preservar nossa privacidade e/ou de outra pessoa.

Na mitomania (mentira obsessiva-compulsiva) a mentira é intensa e prejudicial. Mentiras que podem prejudicar a si mesmo e aos outros é grave e inaceitável, podendo ser entendido como uma prática desonesta. Enfim, por um lado a mentira é um recurso plausível, mas a franqueza e a honestidade devem ser tomadas como ferramentas primeiras para uma relação sólida.

Desabafo de um jovem pessimista: parte II

Farol_Melancólico

Carta ao público,

Entre a vida e a morte, prefiro o nada. O silêncio da angústia é minha amiga. É no abismo que vejo o nada mais de perto, um frivião espiritual que me faz contorcer. O meu coração esta cheio, transbordando de uma paz cinza que reflete um sofrimento educador. A angústia da vida é pra mim pedagógica, aprendi a vivenciar a experiência com altivez e sinceridade.

“Toda vida é sofrimento”, diz Schopenhauer e nela me deleito como abelha ao mel. Quero me distanciar da vida feliz e otimista, que adoece o coração com a crença exacerbada na esperança. A última alegria, o último desejo, o último momento da vida deve ser o mais profícuo e verdadeiro momento, pois é aí que o finito se torna eterno.

Minha visão pessimista é esta, que encara o mundo como o reino das possibilidades do acerto e do erro, que busca efetivar um objetivo, mas sempre tendo em mente que pode dar errado. Não me guio por certezas, mas sim por possibilidades. Pensando a história da religião, da bíblia mais propriamente dita, vemos que Deus criou o mundo para apenas duas pessoas, Adão e Eva. Hoje vivemos num mundo de quase sete bilhões de pessoas, o caos está posto a bastante tempo. Não abro mão da compreensão e significação do mudo mesmo que isso me coloque diante do abismo, do nada, da morte.

Desculpe-me você caro leitor se por acaso não estou sendo claro, às vezes eu mesmo me perco entre as palavras. Não escrevi no intento de convencer-lhe, escrevi espontaneamente. Peço encarecidamente que você dê seu veredito e se alegre com os erros de português e com as possíveis incoerências das ideias.

Aprendiz de Poeta

Confira também: Desabafo de um jovem pessimista: parte I

Te esquecer, canalha

 

Não me venha com suas desculpas esfarrapadas

Não mais me enganarás, sairei por aquela porta e

Deixarei para trás toda a nossa história.

Quem dera eu ter ouvido as súplicas do destino

E não tivesse sucumbido aos teus caprichos.

 

Somente uma pessoa medíocre como você despertaria

O amor em outra só para depois destruir os sonhos vividos.

Canalha, canalha, teu coração é podre.

Quem dera eu nunca ter te conhecido

E agora como vou te esquecer? Será que ainda te amo?

 

Não, não! Lutarei contra meus sentimentos, usarei a razão

Para refrear minhas paixões e não vou dar o braço a torcer

Esquecer-te é minha meta, este objetivo alcançarei

E quem dera eu tivesse poderes mágicos,

Te esqueceria num segundo.

Zoranildo Santos

 

Era apenas um sonho

Era noite de lua cheia, os lobos uivavam de forma diferente. O vento gélido e cortante balançava as árvores que deixavam cair suas folhas ao chão. Os ferreiros ainda martelavam o metal quente contra a bigorna produzindo um som estridente que se propagava por muitas distâncias. As pessoas ainda transitavam normalmente na estrada pisoteando e chutando as folhas caídas. Quase não tinha crianças na rua, já estavam em seus aposentos prontas para dormir.

E eu? Eu estava absorta no cotidiano que se apresentava a mim quando de repente, senti uma pontada no coração, as pernas estremeceram e isso logo me pareceu ser um sinal. Que sensação estranha, uma mistura de distância, saudade e perda. Logo a memória tratou de lembrar-me que você estava na guerra, então meu coração sentindo a pressão do temor palpitou mais forte. Será meu Deus? Não pode ser, ele prometeu voltar, ele vai voltar.

Desde então meu espírito sossego não teve, para aumentar meu temor, as cartas que a ti enviava não retornava a mim resposta alguma. Diante de uma situação nada confortável não me restou alternativa senão esperar. Com ansiedade e esperança passei dias e noites esperando seu retorno. Ficava todo o dia na janela a sua espera, mas o que eu vi durante muitos dias foi apenas a vida transcorrendo em sua normalidade sem indicar sua volta.

Desgastada pela espera, finalmente a guerra acabou e infelizmente com ela minhas esperanças. Longe avistei uma carruagem do exército entrando no vilarejo, uma mistura de dor e suspense tomou posse de minha alma. Não era você, era um oficial que veio me notificar de sua morte e oferecer os pêsames, falou que você morreu bravamente e que eu receberia uma medalha de honra em sua homenagem.

Enquanto recebia a notícia o meu chão se abriu, meus órgãos passaram a se convulsionarem vibrantemente, náuseas tomaram conta de mim, passei a ter vertigem e como que num susto, abri os olhos arregalando-os com força. Espantada, notei que estava sentada na cama banhada em suor e aos prantos de choro lhe toquei e tomei consciência para meu alívio, que tudo isso não tinha passado de um sonho.

Aprendiz de Poeta

 

Como seria o mundo sem Saudade?

“Toda saudade é amor, e amar é conhecer alguém. Ninguém tem saudade do que não ama e ninguém ama o que não conhece”. Nelci Silvério de Oliveira

O termo saudade significa ou melhor dizendo descreve, uma mistura dos sentimentos de perda, distância e amor. Etimologicamente sua origem é latina e vem das palavras “Solitas, solitatis”. A palavra saudade é quase que intraduzível, ela existe apenas na língua portuguesa e no galego.

Quando uma pessoa ou um objeto (pode ser qualquer coisa, um momento vivido, um animal, um brinquedo etc) imprime em nossa vida um significado forte, ou seja, nos proporciona uma experiência relevante e prazerosa, sua ausência certamente será sentida e sua lembrança evocada em algum momento, nos proporcionando um prazer saudoso.

O curioso é que a saudade pode ser ambígua no seguinte aspecto: às vezes quando sentimos saudade e lembramo-nos do objeto desta saudade ficamos tristes, mas, no entanto, essa tristeza é pelo fato da ausência e não da saudade ou da lembrança em si, pois nem sempre quando sentimos saudade ficamos tristes.

O que acabamos de falar no parágrafo acima é uma espécie de conflito sentimental entre a lembrança e a ausência. Quando surge a lembrança do amado ou da amada que se foi, surge uma inconformidade com a sua ausência, mesmo assim, a saudade acaba sendo uma conciliadora.

O ser humano por ser dotado de memória é um Ser que transita conscientemente entre o presente, passado e futuro. A saudade é o gancho que nos leva – por meio da memória – ao passado, que não nos deixa situados apenas no presente, neste presente que nos dias de hoje – tecnicista – é esvaziado de sentido e espiritualidade.

A saudade é fundamental e diz que podemos no futuro, num porvir, saciar a carência causada pela ausência do objeto amado. Por meio da lembrança, tornamos o objeto da saudade presente mais uma vez.

Em meio a tantas tarefas, a saudade também nos dar força para lutar contra as dificuldades impostas pela vida, no intuito de acelerar ou de realizar da melhor forma possível um reencontro com uma pessoa amada.

Agora pergunto a vocês caros leitores: como seria o mundo sem saudade?

Essa é uma pergunta cuja resposta necessitaria de várias páginas para escrever, mas em rápidos traçados, um mundo sem saudade tornaria a vida humana um gelo, uma solidão absoluta, e isso tornaria a vida num fardo mais pesado do que possa ser.

A vida não é constituída apenas do orgânico e do mecânico, mas sim também dos sentimentos, das emoções e dos afetos. É uma relação entre seres que compartilham sentimentos semelhantes e discordantes, onde a saudade tem fundamental importância.