Quando te encontrei

 

Fazia muito tempo que saí em sua busca.

A caminhada foi muito árdua e longa, ás vezes pensava até em desistir.

Mas algo em mim dava força para continuar e

esperança de que um dia encontraria um grande amor.

Em meio a esta incessante busca, passei por muitas transformações.

Fui ator, pintor, literato, poeta, aventureiro.

Pintei muitas faces, mas não te encontrei.

Escrevi romances, mas você não era a heroína.

Fiz poesias, mas nenhuma conseguiu exprimir a sua essência.

Mesmo assim, mesmo assim, sabia e sentia que você era real.

Então decidi continuar e enfrentar todas as dificuldades, que não foram poucas.

Passado muito tempo, mais uma vez o desânimo tomou conta de mim,

Já não era o mesmo jovem e quando eu achava que minha busca tinha sido frustrada,

eis que te encontro.

Meu coração como que num susto disparou a bater em descompasso.

Seu olhar para mim demostrava o mesmo, seu sorriso me arrebatou.

Quando você veio em minha direção, minhas pernas paralisaram, eu estava sem reação.

Dentro de mim eu gritava, “lhe encontrei, sabia que você era real, eu sabia, eu sabia”.

Esperava sua aproximação com braços estendidos e sorriso largo, mas estava cansado.

Ao te tocar, meus olhos se fecharam, caído em teus braços descansava,

a busca por você consumiu toda minha energia, me esforcei em vão para abrir os olhos,

mas sentia teu toque, teu afago, teu cheiro.

Em fim, todo meu esforço foi recompensado quando finalmente te encontrei.

 

Aprendiz de Poeta

Carta de um perdão doloroso

carta

Por estes dias fiquei sabendo de tuas loucuras, de tuas angústias e de teu arrependimento. Não quero parecer rude, mas lembra de que te avisei? Bem que te avisei, mas em fim. Percebi agora o deslize que cometeu? Está percebendo agora os riscos de trocar o certo pelo duvidoso? Quando chorei de joelhos prostrado aos teus pés é porque eu sabia, na verdade, eu sentia que ele seria apenas uma aventura, um momento diferente, estimulante, gostoso é claro, mas passageiro.

Você disse não as minhas súplicas, mesmo assim tratei de lembrar-lhe dos nossos momentos maravilhosos e como agente estava indo bem, tudo isso na esperança de fazer você mudar de ideia, para lhe impedir de cometer esta loucura. Mas você é livre e isso tive que respeitar, não que eu quisesse, por mim eu te impediria nem que fosse a força, por meio de cárcere privado sei lá, mas não, o que eu sinto por você é amor e não sentimento de posse.

Uma vez ou outra surge tristemente na minha memória sua resposta as minhas súplicas, você respondeu que nosso relacionamento foi um erro, que não dava a mínima pra mim, eu já era passado. Aaaa! Como doeu! E tudo para quê? Para viver uma aventura, uma célere aventura. Diz-me uma coisa, o que ele lhe prometeu? Amor? Possivelmente muito amor, mas quero lembrar-te de que amor você já tinha e muito. Pode ser também que ele não tenha prometido nada, sendo você a única a apostar cegamente neste relacionamento.

Como foi difícil os primeiros momentos sem você, sabendo que estavas iludidamente feliz com outro, como era frio o meu corpo sem o seu que me aquecia todas as noites. Entretanto, o que doía mais em mim era sentir o quanto você ia se dar mal e eu não podia fazer mais nada. Você até se mudou pra perto dele, para não ter o risco de eu bater na sua porta, lhe encontrar e falar o que sentia. Os anos se passaram e veja só.

Veja só como o mundo dá voltas. Passado tudo isso, agora recebo seu pedido de perdão, gostaria de conversar pessoalmente com você, mas não queres o que posso fazer. Com muito respeito lhe respondo, a muito tempo queria dizer-te, estás perdoada, não guardo mais rancor, hoje compreendo tudo o que se passou entre nós, no entanto, quero deixar claro que ao te perdoar não estou dizendo que reataria, até porque não quero cometer o mesmo erro que você, qual seja, abandonar minha família.

Desabafo de um jovem pessimista: parte II

Farol_Melancólico

Carta ao público,

Entre a vida e a morte, prefiro o nada. O silêncio da angústia é minha amiga. É no abismo que vejo o nada mais de perto, um frivião espiritual que me faz contorcer. O meu coração esta cheio, transbordando de uma paz cinza que reflete um sofrimento educador. A angústia da vida é pra mim pedagógica, aprendi a vivenciar a experiência com altivez e sinceridade.

“Toda vida é sofrimento”, diz Schopenhauer e nela me deleito como abelha ao mel. Quero me distanciar da vida feliz e otimista, que adoece o coração com a crença exacerbada na esperança. A última alegria, o último desejo, o último momento da vida deve ser o mais profícuo e verdadeiro momento, pois é aí que o finito se torna eterno.

Minha visão pessimista é esta, que encara o mundo como o reino das possibilidades do acerto e do erro, que busca efetivar um objetivo, mas sempre tendo em mente que pode dar errado. Não me guio por certezas, mas sim por possibilidades. Pensando a história da religião, da bíblia mais propriamente dita, vemos que Deus criou o mundo para apenas duas pessoas, Adão e Eva. Hoje vivemos num mundo de quase sete bilhões de pessoas, o caos está posto a bastante tempo. Não abro mão da compreensão e significação do mudo mesmo que isso me coloque diante do abismo, do nada, da morte.

Desculpe-me você caro leitor se por acaso não estou sendo claro, às vezes eu mesmo me perco entre as palavras. Não escrevi no intento de convencer-lhe, escrevi espontaneamente. Peço encarecidamente que você dê seu veredito e se alegre com os erros de português e com as possíveis incoerências das ideias.

Aprendiz de Poeta

Confira também: Desabafo de um jovem pessimista: parte I

Te esquecer, canalha

 

Não me venha com suas desculpas esfarrapadas

Não mais me enganarás, sairei por aquela porta e

Deixarei para trás toda a nossa história.

Quem dera eu ter ouvido as súplicas do destino

E não tivesse sucumbido aos teus caprichos.

 

Somente uma pessoa medíocre como você despertaria

O amor em outra só para depois destruir os sonhos vividos.

Canalha, canalha, teu coração é podre.

Quem dera eu nunca ter te conhecido

E agora como vou te esquecer? Será que ainda te amo?

 

Não, não! Lutarei contra meus sentimentos, usarei a razão

Para refrear minhas paixões e não vou dar o braço a torcer

Esquecer-te é minha meta, este objetivo alcançarei

E quem dera eu tivesse poderes mágicos,

Te esqueceria num segundo.

Zoranildo Santos

 

Era apenas um sonho

Era noite de lua cheia, os lobos uivavam de forma diferente. O vento gélido e cortante balançava as árvores que deixavam cair suas folhas ao chão. Os ferreiros ainda martelavam o metal quente contra a bigorna produzindo um som estridente que se propagava por muitas distâncias. As pessoas ainda transitavam normalmente na estrada pisoteando e chutando as folhas caídas. Quase não tinha crianças na rua, já estavam em seus aposentos prontas para dormir.

E eu? Eu estava absorta no cotidiano que se apresentava a mim quando de repente, senti uma pontada no coração, as pernas estremeceram e isso logo me pareceu ser um sinal. Que sensação estranha, uma mistura de distância, saudade e perda. Logo a memória tratou de lembrar-me que você estava na guerra, então meu coração sentindo a pressão do temor palpitou mais forte. Será meu Deus? Não pode ser, ele prometeu voltar, ele vai voltar.

Desde então meu espírito sossego não teve, para aumentar meu temor, as cartas que a ti enviava não retornava a mim resposta alguma. Diante de uma situação nada confortável não me restou alternativa senão esperar. Com ansiedade e esperança passei dias e noites esperando seu retorno. Ficava todo o dia na janela a sua espera, mas o que eu vi durante muitos dias foi apenas a vida transcorrendo em sua normalidade sem indicar sua volta.

Desgastada pela espera, finalmente a guerra acabou e infelizmente com ela minhas esperanças. Longe avistei uma carruagem do exército entrando no vilarejo, uma mistura de dor e suspense tomou posse de minha alma. Não era você, era um oficial que veio me notificar de sua morte e oferecer os pêsames, falou que você morreu bravamente e que eu receberia uma medalha de honra em sua homenagem.

Enquanto recebia a notícia o meu chão se abriu, meus órgãos passaram a se convulsionarem vibrantemente, náuseas tomaram conta de mim, passei a ter vertigem e como que num susto, abri os olhos arregalando-os com força. Espantada, notei que estava sentada na cama banhada em suor e aos prantos de choro lhe toquei e tomei consciência para meu alívio, que tudo isso não tinha passado de um sonho.

Aprendiz de Poeta

 

Quem perdeu foi você

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Com a minha imaginação preencho o vazio que sua partida deixou em mim.

Consigo aliviar-me um pouco, mas quando abro os olhos, percebo a minha realidade

E na minha realidade não existe mais você. Essa falta está sendo muito dolorosa,

Às vezes quando busco apoio tombo no vazio que você deixou

Mas tenho que ser forte, tenho que viver e tentar ser feliz,

A decisão foi sua, você escolheu assim e isto está fora do meu alcance.

Esquecestes que tínhamos prometido um ao outro que seriamos um só para sempre?

Não, você não esqueceu, covardemente você mentiu, fez uma falsa promessa.

Agora te faço outra promessa, prometo que vou me reerguer e continuar minha caminhada,

mostrando a todos que no final das contas quem perdeu foi VOCÊ.

Descrição

Noite chuvosa, Trovões, relâmpagos

                  E o telefone toca

Choro, suspiro, correria na viela

                                  Respiração ofegante

           Sons de sirene

Chuva cada vez mais forte

                       Lágrimas se misturam

                                                    [ aos pingos da chuva

Passos largos, chegamos

                              Pernas tremendo

Espanto, mais choro,

                        Conversas, coração batendo forte

Vertigem, escuro,

                                                         Silêncio.

Aprendiz de Poeta