Análise do filme: Relatos Selvagens (2014)

 

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Relatos Selvagens é um filme argentino lançado em 2014 e pode ser classificado como uma tragicomédia. Foi escrito e dirigido por Damián Szifron, é uma película fora do comum, pois é um longa que conta seis relatos diferentes e independentes um do outro. Os relatos nos leva a momentos do cotidiano comum a todos e revela uma natureza humana paradoxal.

Vamos agora a um breve resumo dos seis relatos.

A primeira história se passa num avião. O piloto de alguma forma conseguiu reunir num mesmo voo as pessoas que de uma forma ou de outra o magoaram, ou o rejeitaram. Ele  tem o intuito de derrubar o avião para saciar uma espécie de sede de vingança. E detalhe, ele derruba o avião sobre a casa dos pais dele.

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Agora imaginem o seguinte: você trabalha a noite de garçonete e de repente surge para jantar no restaurante o homem que arruinou sua família, e é responsável pelo suicídio de seu pai. O homem é daquelas pessoas mesquinhas, arrogante e não dá a mínima para os outros. A cozinheira dá ideia de envenenar a comida que vai ser servida a ele, dessa forma estará fazendo um bem à humanidade e assim a garçonete fará justiça ao que aconteceu com sua família. Essa é a história do segundo relato.

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A terceira história é uma boba briga de trânsito que acaba em uma tragédia para os dois envolvidos. A quarta história narra a frustração de um homem com a burocracia do departamento de trânsito do seu país. Ele acaba explodindo a instituição pública.

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O quinto relato é a história de uma família rica que tenta encobertar o crime do filho que atropelou e matou uma mulher grávida, oferecendo muito dinheiro ao caseiro para ele assumir a culpa. A sexta história é a mais cômica, a noiva descobri na festa de casamento que o marido lhe trai com uma colega de trabalho, e que ela está na festa com outros colegas que sabem do seu relacionamento com o noivo.

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O nome Relatos Selvagens é um indicativo do que veremos no decorrer do filme e já no começo as fotos de animais na selva deixam uma mensagem clara, somos também uma espécie de animais irracionais. Aprendemos desde cedo que somos animais racionais e que temos livre-arbítrio, tomando decisões mais justa possíveis. O que o filme vai trazer de comum entre os seis relatos é justamente os comportamentos irracionais dos protagonistas em cada história, comportamentos impulsivos que levam a fins trágicos.

Certamente somos seres racionais, mais até que ponto nossas decisões são baseadas no cálculo da razão? Não esqueçamos que somos também seres dotados de emoções, paixões, afetos e desejos, e que muitas vezes nossas ações são motivadas por esses atributos. Como diz o filósofo David Hume, “a razão é serva das paixões”.

Todas as ações dos protagonistas levaram a fins trágicos (ah! Menos a do casamento, que tem muita confusão, mas termina…) e isso revela que em muitos momentos da nossa vida tomamos decisões impulsivas, irracionais, mesmo sabendo que teremos problemas depois. Essas situações nos levam a pensar se realmente temos controle total sobre nossas ações, o que na minha humilde opinião, não. Quem nunca fez algo do qual se arrependeu depois que jogue a primeira pedra.

Bem pessoal isso é um pouco do que vejo no filme. É um filme bastante interessante, diferente e recomendo a todos.

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Análise do Filme: Infidelidade (2002)

*Atenção, o texto contém spoiler. Fotos: Creative commons, google images.

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O drama erótico começa mostrando um pouco da vida feliz de uma família formada por Connie Sumner (Diane Lane) casada há onze anos com Edward (Richard Gere) e o filho do casal Charlie (Erik Per Sullivan). Eles formam a típica família que toda mulher sonha em ter, Edward é um marido bem sucedido, romântico, que ajuda a esposa na cozinha e no jardim, se dedicando integralmente a sua família, e eles também tem um filho fofo.

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Certo dia depois de ter cumprido sua rotina, Connie sai de casa para comprar um presente para Charlie. Depois de ter feito as compras Connie se vê em meio a uma ventania e se esbarra em um homem jovem e bonito. Este homem é Paul Martel (Olivier Martinez) um jovem francês sedutor e comerciante de livros. Connie cai e machuca os joelhos, o belo jovem se propõe a ajuda-la, e convida-a para subir até seu apartamento, ela ainda olha para o taxi mas acaba aceitando o convite. Assim começa um romance extraconjugal que vai culminar num fim trágico.

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A rotina

A tela inicial do filme chama a atenção para um aspecto importante, a rotina que a família está envolvida. Connie acorda cedo, prepara o café da manhã para o filho e o marido, certifica se está tudo pronto pro filho ir para escola, ouve Edward falar sobre os negócios e assim se resume a vida de Connie que também ama o marido. O filme mostra esse choque de realidade, o da rotina presa à família e o da liberdade irresponsável. Há muito tempo que Connie vivia na mesmice limitando suas sensações, sentimentos e desejos. Eis que surge algo novo na vida de Connie que desperta seu interesse, apesar de proibido.

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A casa de Martel x Casa de Edward

O primeiro impacto é a diferença entre o ambiente que Connie vive sua rotina e o ambiente que vive Martel. Uma casa desarrumada cheia de livros por toda parte e que passa uma sensação de liberdade, descontração, muito diferente da sua casa da qual ela tem uma tremenda responsabilidade, e todo um ritual a cumprir todos os dias. Se junta a isso um jovem belo e sedutor.

A reação de Connie durante e após a primeira transa

Outros momentos interessantes do filme são as cenas antes, durante e após a primeira transa. Connie ao se entregar sente o peso psicológico da traição e demostra isso num acesso de choro e riso entrelaçado, uma espécie de culpa e prazer que se misturam, tenta resistir dizendo que não pode fazer isso, mas o jogo de sedução de Martel é mais forte, ele pede a ela para bater nele e assim ela se acalma. Na volta pra casa no trem, Connie está a todo tempo chorando e rindo se lembrando do que acabou de fazer. Essa cena dá uma sensação de que Connie não é uma canalha, uma vilã que está fazendo isso só por sacanagem.

O tratamento no sexo

Com Martel o sexo tem elementos diferenciados, ele tem pegada, atitude, é mais enérgico, é mais “violento”, calma pessoal, ele não agride ela. Freud diz que o sexo é irracional, no sentido de que no ato sexual sempre há uma pegada mais forte, que muitas vezes pode ser caracterizada por uma puxada de cabelo, uma cravada de unha, um tapinha etc, uma criança quando flagra os pais transando chora, fica com raiva do pai, pois ela acha que o pai está agredindo a mãe, isso mostra como o sexo tem uma natureza violenta. A diferença do tratamento no sexo fica clara no filme, com Edward o sexo é sempre muito recheado de romantismo e não tem calor. Numa cena no quarto Connie pega a mão de Edward e coloca no seu corpo pede pra ele sentir e pegar de uma forma mais ambiciosa e pergunta se ele quer transar, se tá afim, ele demora um pouco a responder e quando responde faz de maneira como se aquela transa fosse só mais uma transa, ele é frio. Com Martel não, parecem dois jovens adolescentes feitos um vendaval passando pela casa, ela se masturba pra ele, eles transam no banheiro de uma cafeteria onde Connie estava com algumas amigas, transam no cinema, na escadaria do prédio, ufa!!! aja energia.

A mensagem final

O fim é trágico, Edward descobre a traição e mata o jovem francês, não quero ficar descrevendo o filme, pois é muito conhecido. Mais a mensagem principal que vejo é a do recomeço, Edward e Connie estão decididos a recomeçar e esquecer tudo o que aconteceu. Resta saber se é realmente possível.

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